domingo, 28 de agosto de 2011

Vitória da Chapa "Levante e Lute" nas eleições do DCE da UESB Jequié!

Verônica Santos*

Ontem mais uma página do Movimento Estudantil da UESB-Jequié foi escrita, após dois dias de votação uma nova Coordenaçao para o Diretório Central dos Estudantes foi eleita. Compareceram às urnas 930 estudantes dos quais 908 disseram sim a CHAPA LEVANTE E LUTE, disseram sim à esses/as onze estudantes corajosos/as que não se negaram a luta por um universidade pública, democrática e popular.

Hoje é um novo dia em nossa história: fomos, somos guerreiros/as em abdicar as nossas horas de lazer, estudos, prazer... Para estarmos sendo forjados na luta por um outro mundo que acreditamos possível.

Para isso, sabemos que precisamos ser persistentes, pois esses novos passos não serão fáceis, mas, não desistiremos enquanto corre em nossas veias a vontade de fazer acontecer, vamos ousar, ousar ser diferente.

Saudações aos/as nosso/as companheiros/as:

Bia com seu jeito espalhafatoso e guerreira;

Dani, com seu jeito meigo e firme;

Gal com seu jeito tímido e sede de lutar;

Herique com sua vontade de fazer acontecer;

Marviel e Dalyla: êita calourada retada;

Naiane com seu jeito apreensivo e ansioso;

Renato com sua vontade de fazer a coisa do jeito mais certo.

Parabéns a todas e todos que estiveram nesses dias exaustivos construindo esse momento.Vocês estão fazendo a diferença e para isso vamos continuar trilhando as lutas acreditando que não as escolhemos, mas que fomos escolhidos por elas.

Verônica Santos é Discente do Curso de Pedagogia- UESB/ Jequié e membro do Coletivo Ousar ser Diferente/ Jequié.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Passos firmes, olhar no horizonte.

Tâmara Terso e Diego Marinho*


A União Nacional dos Estudantes (UNE), assim como a União dos Estudantes da Bahia (UEB), no último mês de julho renovou sua direção além de suas bandeiras de luta. Nós de coletivo Ousar ser Diferente estávamos presentes nesse processo e entendemos que a Educação brasileira passa por grandes desafios rumo a contribuir com o modelo econômico-social de desenvolvimento com inclusão e democracia. Cabe hoje aos movimentos sociais conduzirem esta transição e tanto a UNE quanto a UEB tem papel fundamental na organização do Movimento Estudantil.

Ações como REUNI, PROUNI, ENEM, PRONATEC, cotas sócio-raciais e a construção do PNE, sinalizam uma priorização da educação no cenário brasileiro. A atual conjuntura política mostra que a pauta educacional deve estar ligada ao projeto de crescimento do Brasil, tanto que na última semana a Presidenta Dilma Rousseff apresentou a necessidade de expandirmos ainda mais o Ensino Técnico e Superior, com um investimento de 2,4 Bilhões. O Estado da Bahia foi um dos contemplados com duas novas universidades federais e nove unidades do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET), além do fortalecimento na interiorização da UFBA e da UFRB. Ficamos muito satisfeitos em participar desta trajetória, relatando no Conselho Universitário o processo de desmembramento da Ufba Barreiras e co-organizando uma audiência pública para debater a Ufba Camaçari em 2008. Entendemos o processo de interiorização como uma estratégia fundamental para o desenvolvimento dos territórios de identidade.

Reconhecer estes avanços é, por exemplo, citar as 11 novas universidades federais construídas nos últimos anos, assim como os 214 Institutos Federais de Ensino Técnico abertos em todo o país. Porém não podemos deixar de lado os retrocessos expressos na falta de regulamentação do ensino privado, no ataque de setores da direita conservadora às políticas de cotas e na consolidação da falta de democracia nas IES. As contradições deste momento histórico são representadas pelo corte, no início do ano, de 50 bilhões do governo federal que atingiu diretamente a educação com R$3,5 BI, portanto não será uma tarefa fácil revolucionar este setor.

Nesse cenário as IES brasileiras vivem mudanças quanto ao perfil do corpo estudantil no que se refere à classe, etnia e gênero, mas apesar das mudanças a Universidade ainda não consegue – ou não quer- compreender sua função social, reforçando pensamentos conservadores, perpetuando velhas diretrizes educacionais e dificultando a permanência desse novo perfil universitário.

No debate sobre acesso os avanços são visíveis justamente por causa do aumento de vagas em Universidades publicas, reservas de vagas para classes historicamente excluídas do ensino superior e criação de bolsas no ensino privado, no entanto ainda temos muito que construir. Apenas 13% da população de 18 a 24 anos estão cursando o ensino superior, e destes estudantes 75% estão em universidades privadas.

Hoje um dos principais instrumentos de transformação da educação passa pela aprovação do Plano Nacional de Educação, instrumento que norteará as ações do Estado para este setor entre 2011-2020. Sua construção começou a ganhar corpo na Conferência Nacional de Educação em 2010, onde amplos setores da sociedade e dos movimentos sociais organizados participaram de sua construção, porém ao ser levado ao Congresso Nacional o PNE teve suas metas e objetivos rebaixados. O plano apresentado pelo MEC é mais tímido e não representou os avanços acumulados no CONAE.
Entendemos que uma das primeiras ações que devem ser tomadas pelo Estado é a ampliação do orçamento para a educação, não dá para ampliar o acesso, resolver o problema latente da permanência e fortalecer uma educação emancipadora, ampliando apenas 0,2% ao ano no orçamento. É por isso que a pauta de 10% do PIB para educação até 2014 é fundamental e está entre as 59 emendas feitas pela UNE ao PNE.

Outras metas importantes são a ampliação de 60% das vagas no ensino superior (contrapondo os 33%
apresentados pelo MEC), a reserva de 50% das vagas dos Institutos de Ensino Superior para estudantes de escola pública com recorte étnico-racial, a democratização das IES na escolha de suas direções de forma paritária, a regulação do ensino privado, a reestruturação das universidades estaduais e a destinação de 2% do orçamento do MEC para assistência estudantil.

Há também um importante debate que deve ser incorporado à pauta da educação e tem haver com o conteúdo ensinado em sala de aula, referendado em pesquisas e pouco debatido nas extensões. Historicamente a universidade foi vista como um espaço de excelência, excludente e opressor. Fazer com que este espaço físico e político se transformem numa via de dialogo com a sociedade, construindo conhecimento a partir de uma troca é um meio de reafirmar seu papel social. A universidade deve servir para a construção de uma nova sociedade justa, democrática e popular, e isso só acontecerá se as IES se integrarem as comunidades populares e aos movimentos sociais.

Os desafios estão postos a mesa, nesse sentido cabe ao movimento estudantil organizado lutar com as armas que tem. A jornada de lutas da União Nacional dos Estudantes neste mês de Agosto é o momento de colocarmos os/as estudantes nas ruas de todo o país para fortalecer e reivindicar novas conquistas para a Educação.


Vamos levar a UNE para as ruas e para o Estudante brasileiro!



* Tâmara Terso é atual Diretora de Extensão da União Nacional dos Estudantes e Diego Marinho é Diretor da Executiva da União dos Estudantes da Bahia, ambos integrantes do Coletivo Ousar Ser Diferente, que constroem nacionalmente o Campo Kizomba.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ousar Ser Diferente na UESB de Jequié!










Na última quinta-feira, 04/08, o coletivo do Ousar de Jequié se reuniu a fim de traçar metas para o próximo semestre da UESB. Tendo historicamente contribuído para o M.E. desta Universidade, o Ousar protagonizará mais uma vez as eleições do DCE, que nos últimos tempos passou por um período de reorganização, com renovação da militância e um novo sentimento de luta.

As Universidades Estaduais na Bahia passam por um processo de pós-greve, onde a maioria das reivindicações dos/as estudantes foi deixada de lado nas negociações. A greve acabou, mas ainda há muito que avançar na busca pelo plano de reestruturação das universidades estaduais, na construção do plano de assistência estudantil e no fortalecimento da pesquisa e extensão como instrumento de reafirmação do papel social da universidade.

Nesse sentido, tanto a UNE quanto a UEB nos seus últimos congressos em julho deste ano, elencou como prioridade a luta por uma educação de qualidade nas universidades estaduais, prometendo levar estas entidades para a base dos/as estudantes e construindo em conjunto com o M.E reivindicações diárias.
O Ousar ser Diferente que hoje ocupa a diretoria de Extensão da UNE, com Tâmara Terso e uma Diretoria Executiva da UEB com Diego Marinho, não perdeu tempo e já começou o semestre fazendo uma série de viagens ao interior da Bahia, a fim de colocar em prática as deliberações das respectivas entidades.


Vida longa ao Ousar ser Diferente/ Jequié!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O novo momento da UNE com o debate LGBT




A UNE neste 52° Congresso de Estudantes conseguiu cumprir o desafio de colocar o debate LGBT em destaque na sua pauta política. Com alguns anos de diretoria LGBT na entidade a pauta da diversidade sexual e a educação nunca foram centrais, tanto pelo preconceito institucional que o seguimento historicamente presenciou, quanto pela falta de prioridade nas ações e estratégias.


Apesar dos embates e dos esforços para serem realizados debates sobre a luta contra a homofobia, a União Nacional dos Estudantes conseguiu avançar ao fazer dois dias de intensos debates, sendo o primeiro dia interrompido por uma manifestação de militantes da Oposição de Esquerda que não respeitaram o espaço, exemplo nítido de sectarismo. Mesmo com todos os entraves, conseguimos tirar uma linha política para a próxima Diretoria LGBT, marco histórico do movimento que em sua historia deixava a desejar neste debate.


O Movimento LGBT aliado ao Movimento Estudantil percebeu que o combate a homofobia não deve acontecer isoladamente, mas aliado ao combate ao racismo, ao machismo e ao Capitalismo, que acirra o aumento das desigualdades, com a produção de modelos e padrões heteronormativos e que apenas enxerga os LGBTs como potencial publico consumidor.


Entretanto temos muito que avançar, é fundamental que o movimento estudantil esteja de fato apropriado deste debate e a UNE como principal porta-voz dos estudantes tem o dever de disseminar esta luta entre a juventude e a sociedade brasileira como um todo. Além disso, é necessário que a UNE se posicione quanto aos casos freqüentes de homofobia na sociedade, principalmente no âmbito educacional e que combata a opressões desde a Direção Executiva até a base dos estudantes, para que possamos ter uma UNE com a cara dos estudantes, com a cara do Brasil!


Diego Marinho.
Coordenador de Assuntos Academicos DAHS
Militante do Ousar Ser Diferente
Membro da Rede Afro LGBT.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

As críticas ao Pronatec.

Pronatec é bem visto, mas repasse de recursos para escolas privadas preocupa setor
Elogiado por dar continuidade à ampliação do ensino técnico iniciada no governo Lula, projeto que cria "ProUni do ensino técnico" peca ao prever verbas públicas para instituições particulares


São Paulo - Em tramitação no Congresso Nacional, o projeto de lei do Executivo 1209/2011, que institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), foi bem recebido por educadores do setor, mas com ressalvas.

Na avaliação de Antonio Almerico Biondi Lima, superintendente de educação profissional da Secretaria Estadual de Educação da Bahia, o programa é positivo por dar continuidade à ampliação da rede federal de ensino técnico e a programas iniciados no governo Lula; por conceder bolsas para os estudantes; por seu caráter emancipatório; e por contemplar a educação profissionalizante e de jovens e adultos, que historicamente foram excluídas das políticas educacionais.

No entanto, ele reprova a transferência de recursos federais, mediante convênios, para a rede técnica privada para aumentar as vagas oferecidas. Ele teme que institutições despreparadas e sem equipamentos adequados sejam beneficiadas. Integrante do Conselho Estadual de Educação da Bahia, Biondi conta que vê escolas técnicas sendo aprovadas que, na verdade, não passam de caça-níqueis.
“É preciso que essas escolas sejam fiscalizadas com o mesmo rigor aplicado às instituições de ensino superior”, afirma. “Senão é grande o risco de o dinheiro público ir pelo ralo ao financiar essas escolas ruins”.

Para ele, os investimentos públicos devem ser feitos na rede pública de educação técnica e tecnológica, que mantém a ampla maioria das vagas. Para se ter uma ideia, na Bahia a rede estadual oferece 50 mil vagas, enquanto que o sistema S, formado pelo Sesi, Senai, Sesc e Senac, entre outros, apenas 6 mil.


Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/educacao/2011/07/repasse-de-recu...

terça-feira, 5 de julho de 2011

"É colocar carro na frente dos bois", diz Haddad sobre Prefeitura de SP

HÁ SEIS ANOS NO COMANDO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, FAVORITO DE LULA PARA DISPUTAR O CARGO DIZ QUE DEBATE É PREMATURO, MAS NÃO DESCARTA CONCORRER

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ministro da Educação, Fernando Haddad, é o candidato preferido de Lula para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012. O ex-presidente defende o lançamento de um nome "novo" e palatável para a classe média paulistana e vê no ex-auxiliar o nome certo para a missão. Com seis anos no cargo, Haddad, que sofre resistência de setores do PT na cidade, afirma que o debate sobre a candidatura é "prematuro" e uma ideia "de difícil execução". Que ele, no entanto, não chega a descartar. Na semana passada, o ministro recebeu a Folha em Brasília para uma entrevista. Abaixo, os principais trechos:



O senhor está no ministério há seis anos. Pensa em sair para novos desafios?

Fernando Haddad - Em 2007, lançamos o Plano de Desenvolvimento da Educação, com uma série de metas. E concluímos o mandato do presidente Lula cumprindo o que foi compromissado. É natural que haja uma sensação de missão cumprida.
Então no ano passado a minha perspectiva não era permanecer. Mas, à luz de conversas com o presidente Lula e sobretudo com a presidenta Dilma, já eleita, resolvi ficar. Já é difícil dizer não para um presidente; para dois, é quase impossível. E ela nos colocou um desafio estimulante na área de educação profissional e do ensino médio, que me reanimou. O Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico] será uma das marcas importantes do governo Dilma.

Mas ela queria mesmo ou o senhor foi da cota do Lula?

Olha... Aí é uma pergunta que eu não fiz a ela. Nem poderia. Mas eu entendo que a presidenta Dilma evidentemente respeita muito a opinião do presidente Lula, mas não faria algo de que não estivesse convicta.

Já houve relatos de que ela estaria insatisfeita com ministros, entre eles o senhor.

Num determinado momento, foi apresentado a ela -não por nós-um pequeno relatório dessas notas plantadas na imprensa por fontes anônimas. Na ocasião, ela deu uma entrevista para o jornal "Valor" desmentindo as notícias e reafirmando o apoio ao seu ministério de maneira bastante definitiva.

O senhor é candidato a prefeito de São Paulo, como deseja o ex-presidente Lula?

Nós temos hoje aqui no ministério projetos muito complexos, como o Pronatec. Antecipar um debate como esse, para mim, aqui no MEC, é muito difícil. E no PT de SP não faltam candidatos. Tem a ex-prefeita Marta Suplicy, que eu considero a mais preparada para pleitear o cargo, tem o ministro Aloizio Mercadante, tem jovens militantes petistas emergentes.

Mas o senhor não descarta.

Eu... Eu não estou discutindo essa questão. Eu não estou dizendo que não. Eu estou dizendo é que o MEC é um desafio e que a presidenta Dilma nos deu uma missão que nos animou.
Então eu acho que é uma discussão, em primeiro lugar, prematura. E, no contexto de São Paulo, é colocar o carro na frente dos bois.
Não estou com a atenção voltada para essa questão, embora chegue ao meu conhecimento a simpatia que o presidente Lula tem.

Quando Lula fala sobre isso, o que o senhor responde?

[Rindo] Digo para ele que eu acho complexa a ideia, de difícil execução.

E ele?

Ele ri.

Já o PT não gosta do senhor?

Eu não sei, sinceramente. Eu não sei te responder. Não sei nem se é verdade isso. Eu conheço a opinião do PT por notas anônimas em jornais. E eu não posso confiar porque ninguém se apresenta. Eu quero crer que não tenha ninguém... Como é que eu vou me pronunciar sobre isso? Não tem como.

O PT tem dificuldades com parte da classe média, especialmente em SP.
Na polêmica que envolveu o artigo do Fernando Henrique Cardoso sobre a questão da classe média, alguns jornais fizeram questão de frisar que o PT também tinha interesse nesse segmento. E ficou muito claro que o PT quer ampliar o seu eleitorado sem abdicar do povão. A sinalização [de FHC] era de quase desistência de disputar o voto das camadas populares, o que não cai bem num partido que se diz social-democrata. A oposição está numa encruzilhada. Um de seus integrantes [Jorge Bornhausen] já disse que ela está sem líder. Outro [José Serra], que está sem rumo. Não é só o sucesso do governo que explica isso. E aí eu entro num tema, que é o da relação da oposição com a mídia. A parte mais doutrinária da imprensa -estou falando da mais doutrinária, não de toda a imprensa- prestou mais serviços ao governo do que à oposição.

Como assim?

O governo melhora com a crítica da imprensa. E ela exerceu esse papel no governo Lula como eu nunca vi. Ponto para a imprensa. E ponto para o governo, que soube reagir e terminar bem avaliado. Acuada, a oposição, em vez de buscar compreender o que acontecia na sociedade e disputar o voto do eleitor, preferiu se abrigar nesse guarda-chuva doutrinário, mais conservador, que lhe parecia seguro. E essa situação demonstrou ser muito ineficiente do ponto de vista da disputa eleitoral. Na campanha presidencial, o candidato da oposição disse que o Banco Central não é a Santa Sé. A reação dessa imprensa doutrinária foi tão forte que ele foi obrigado a realinhar o discurso. E aí não ficou com uma, mas com duas Santas Sés: o BC e a igreja. Veja a armadilha que se criou. Esse exemplo é paradigmático.

Falta mão de obra qualificada no Brasil. Vocês governam há oito anos. Não faltou ver isso antes?

Faltou ver bem antes, eu diria. E nós vimos. Tanto é que dobramos as vagas nas federais e estamos triplicando as vagas nos institutos que formam técnicos. Em dez anos, triplicamos o número de graduados no país, multiplicamos por mais de dois o número de técnicos formados.

Mas não foi suficiente.

Essa sensação de falta de mão de obra qualificada vai se diluir no tempo. Nós estamos num ritmo em que oferta e demanda vão se encontrar logo adiante.

E a qualidade? Indicadores como o Pisa [exame que avalia estudantes de vários países] mostram o Brasil em 53º lugar entre 65 nações pesquisadas.

Em 2000, nós ficamos em último lugar no Pisa. Em uma década, superamos 15 países. O Brasil foi o terceiro em evolução. Em nove anos, reduzimos à metade a distância que nos separava do México. Superamos países com mais tradição que a nossa, como a Argentina, que não teve a metade dos nossos problemas históricos, de escravidão, patriarcalismo. E tem a questão federativa. Veja os EUA, também federativo: é o maior PIB do mundo e está em 30º lugar no Pisa. Uma coisa é a educação num Estado unitário, como a França. Outra é num país com a dimensão do nosso e a autonomia dos Estados. Aqui, o MEC só tem papel indutivo, nós não temos gestão sobre a rede.

Há uma questão polêmica em São Paulo que é a política de bônus para professores, por desempenho das escolas ou notas deles em uma prova. O que o senhor acha?

Nós definimos metas de qualidade para cada escola e para cada rede em 2007. E deixamos a critério dos entes estabelecer as estratégias para o atingimento das metas. Era a oportunidade de transformar o Brasil num laboratório de experiências pedagógicas e de políticas educacionais. Com várias estratégias, os Estados têm cumprido as metas, inclusive SP. Mas teve um sinal amarelo agora no Saresp [avaliação estadual] porque a nota caiu. Não vejo chance de uma política de bônus dar certo contra os professores. E eu tenho tido notícias de que tem havido da parte do governo do Estado mais abertura para ouvir a categoria. Todo mundo defende a política de promoção por mérito. A questão são os termos, se você vai promover pela avaliação dos alunos, pela prova do professor. É um bom debate.

Fonte - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1605201115.htm

Aumento da produção científica brasileira não se reflete em maior número de patentes

Um país onde muito se pesquisa e pouco sai do papel. É este o Brasil destacado por um levantamento inédito do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), realizado entre estabelecimentos de pesquisa não-acadêmicos. A pequena quantidade de pedidos de patentes, segundo os autores do estudo, mostra a dificuldade para aplicar, na prática, os investimentos públicos em ciência, que aumentaram significativamente nos últimos anos. Em 2009, o Brasil publicou 32 mil artigos em publicações científicas, o que equivale a 54% da produção latino-americana e 2,7% da mundial.

Foram contabilizados 673 pedidos de patentes entre 1990 e 2007. As instituições que encabeçam o ranking das invenções são ligadas a secretarias estaduais ou ministérios, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo (IPT) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Com a patente, o pesquisador ganha um título de propriedade temporária sobre aquela invenção, para que possa desenvolver seu produto sem concorrência. Se não pedir a patente, qualquer competidor pode apropriar-se do seu objeto de trabalho. É um procedimento básico para diversas áreas científicas - embora, em algumas, o objetivo do trabalho seja apenas gerar conhecimento, sem resultados imediatos.

Alguns cientistas contentam-se em apresentar seus estudos em revistas científicas, congressos e seminários. Como, depois de uma apresentação em público, não é mais permitido patentear o trabalho, acabam sem registrá-lo.
- Os pesquisadores ainda não estão preocupados em fazer de seus trabalhos um bem intangível - lamenta Luciana Goulart de Oliveira, do Inpi, que assina o levantamento com Jeziel da Silva Nunes. - Mais de metade do que se gasta com pesquisa vem de fundos públicos. E o que é público deveria gerar resultado. Então, há muito dinheiro investido e pouco repassado para a sociedade, na forma de resultados.

Pouco envolvimento das empresas

A prevalência do Estado, seja como financiador ou patenteador, é uma situação oposta à observada nos EUA e em boa parte da União Europeia. Lá, a iniciativa privada domina o investimento e registro de novos produtos.
- Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2008 havia 152 mil pesquisadores em instituições de pesquisa e 54 mil no setor empresarial - destaca Luciana. - Ainda não há a mentalidade de levar esses estudiosos para passar o seu know-how ao mercado.

De acordo com o levantamento no Inpi, a falta de pesquisadores nas empresas é ruim para a economia. Uma empresa que não mantém seu corpo de pesquisadores não se diferencia das demais. Sem o investimento em diferenciais, como novas tecnologias, ela está indefesa contra uma série de obstáculos.
- No setor elétrico, as fábricas de tomadas, por exemplo, estão se extinguindo, porque é mais fácil comprar da China. Lá o custo de produção é menor, por causa da mão de obra extremamente barata - explica Luciana. - O mesmo ocorre com os setores calçadista, eletrônico, de máquinas e equipamentos. São casos assim que nos fazem ler tanto atualmente sobre a desindustrialização do Brasil. Estamos perdendo uma base industrial altamente empregadora.

Dois anos atrás, o Inpi conferiu quais, entre as universidades, eram as maiores depositantes de patentes - e, assim, deparou-se com nomes como USP, UFRJ e Unicamp. Agora, enveredou sua pesquisa pela primeira vez para as instituições não-acadêmicas.
- É o primeiro levantamento do gênero feito no Brasil - ressalta Luciana. - Fizemos justamente para estabelecer uma série histórica. Assim, no futuro, podemos atribuir o fato de uma década ser mais ou menos produtiva a determinada política pública, incentivo.

Os pedidos de patentes foram, proporcionalmente, mais numerosos nos anos 2000 do que nos anos 90. Esta mudança deve-se a uma revisão na Lei de Propriedade Industrial, em 1996, que derrubou a proibição ao patenteamento de remédios e alimentos, e ao próprio desenvolvimento do setor de pesquisa do país.
Outro dado que chamou atenção, dado o tamanho do país e sua quantidade de pesquisadores, é como a pesquisa científica está concentrada em poucas mãos. Dos 673 depósitos de patentes identificados, 91% vêm de apenas 18 instituições.
Para Jerson Lima Silva, diretor científico da Faperj e da Academia Brasileira de Ciências, falta uma maior interação entre os pesquisadores e o Inpi.
- O tempo de tramitação de um pedido de patente pode demorar até sete anos. É algo que desagrada muitos pesquisadores, embora não possa ser reduzido para apenas alguns meses - pondera. - Mas também precisamos destacar que, em áreas que somos fortes, como a agricultura e a produção de jatos, não é necessário o depósito de tantas patentes como na produção de automóveis, por exemplo. Neste caso, as mudanças na montagem são muito mais frequentes, e cada uma precisa ser protegida por um novo documento.

Silva assinala que, embora o pedido de patentes ainda seja aquém do desejado, as pesquisas brasileiras têm sido cada vez mais citadas em trabalhos estrangeiros - inclusive em depósitos de patentes.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/05/11/aumento-da-producao-cientifica-brasileira-nao-se-reflete-em-maior-numero-de-patentes-diz-estudo-924437395.asp#ixzz1MYRyzxzg